Tanto, que por isso deixei às moscas o blog. Não é papo-furado. Andei muito ocupado e a falta do ócio me deixa menos criativo.
Quando esse ano definitivamente acabar - dia 31 de dezembro às 23:59:59:59... voltarei a atualizar esse espaço. Direi o que aconteceu, o que não aconteceu e o que (talvez) acontecerá.
Se eu fosse uma casa, diria que já sofri inúmeras explosões e implosões. E a cada ocasião, me reconstruí.
Nessas novas e constantes construções, nem sempre coisas grandes mudaram: uma janela trocou de posição, paredes ficaram mais maciças, e as cores foram trocadas, por dentro e pela fachada.
Fui acostumado a sempre querer as paredes brancas, como a maioria das pessoas. Depois, percebi a necessidade em mudar a combinação das cores, mesclando as tonalidades mais vivas às mais bucólicas, trazendo à minha habitação um reflexo de meus pensamentos que exploram minhas emoções mais radiantes e mais obscuras.
E por mais que meu teto caia ou estremeça, as telhas sempre foram a minha menor preocupação. Elas podem me proteger do frio e da chuva, mas me impediram, por diversas vezes, o desfrute de um belo sol de inverno.
Aproveitando o intervalo que sua banda The Cardigans tirou desde a última apresentação da turnê do fantástico disco Super Extra Gravity, Nina Persson voltou-se ao seu side-project, A Camp, que fez sua estréia em 2001 com um disco que injetou elegância ao country-rock. O novo álbum ainda conta com interferências do parceiro Niclas Frisk, de Mark Linkous, que produziu a primeira incursão do A Camp, e de músicos presentes na primeira incursão do grupo, como a americana Joan Wasser (da banda Joan As Police Woman), mas novas participações ganham papel integral, como Nathan Larson, marido de Nina e James Iha, ex-guitarrista do Smashing Pumpkins. Em Colonia, o novo disco, as referências ao country-rock somem quase que por completo, cedendo lugar à um pop que remete ao produzido no meio do século passado e que difere razoavelmente do que Nina já fez no início da carreira do The Cardigans, já que o produzido pelo A Camp é menos festivo e acelerado, preferindo fazer florescer melodias que sempre tem um “que” de tristeza e pisando no acelerador com muito maior parcimônia. É claro que esse caráter mais melancólico de Colonia fica mais óbvio em baladas de melodias tranquilas e sóbrias como “It’s Not Easy To Be Human”, que interrompe os poucos versos acompanhados de guitarra e sintetizações de tonalidades doces, calmas e tristes com uma epifania sonora de violinos e vocais de fundo sutis, e “The Weed Had Got There First”, cujo compasso letárgico e profundamente romântico é resultado da combinação das queixas de Nina ao microfone, do andamento lento da bateria, das cordas em ondulações levemente sensuais e da discreta participação da guitarra e de sintetizações, mas a atmosfera plangente está igualmente presente, ainda que de modo atuenado, nas canções mais sonoramente fartas. Isso se reflete na cadência arrastada da guitarra e da bateria e nos sopros e coro glamourosos que se alastram por todos os cantos da faixa “Stronger Than Jesus”, primeiro single do novo álbum, no ritmo imperioso que a bateria impõe no refrão da música suspendida por coros e pianos celestiais e pelas cordas graves que lançam-se em jatos precisos na melodia de “Love Has Left The Room” e até mesmo na aparente extroversão dos vocais e do compasso power-rock da bateria e do baixo e na pontuação deliciosamente dramática produzida pelas palmas e riffs de guitarra em “Here Are Many Wild Animals”. Contudo, o que me chamou a atenção em A Camp foi a semelhança que me despertaram duas de suas faixas com outros representantes do mundo da música: enquanto “The Crowning”, desde os versos que pintam o cenário de uma irônica festa de homenagem até o ritmo do violão, piano, bateria, guitarra e harmonias dos sopros e cordas lembra, em cada detalhe, os momentos mais afetadamente teatrais de Rufus Wainwright - até mesmo o vocal de Nina remete ao cantar altivo e sarcástico do compositor americano -, algo disfarçado pela verve pop da espetacular “Chinatown”, provavelmente resultado da ambientação criada no trecho final da canção na combinação dos riffs resplandencetes da guitarra com o coro de múltiplas vozes que preenche o fundo da música com uma aura majestosa, me suscita…Pink Floyd. Não, eu não fiquei louco ou digitei errado - eu disse mesmo Pink Floyd. Por ter ouvido até gastar o cassete de The Division Bell em meu finado e nada saudoso Walkman em 1994, a ponto de não conseguir sequer olhar mais para esse disco, me acho no direito de estabelecer essa relação a primeira vista tão estapafúrdia - mas imagino que aqueles que conhecem bem este álbum conseguem, como eu, encontrar uma pontinha da sonoridade de algumas canções de The Division Bell em “Chinatown”. Excetuando-se algumas faixas um pouco enjoativas, este novo disco do A Camp exala uma atmosfera ao mesmo tempo clássica e sofisticada, cujas melodias e letras persistem de maneira deliciosamente prazeirosa nos ouvidos como as notas aromáticas de um bom perfume o fazem no olfato de quem o percebe. Colonia é isso mesmo: uma nova fragrância de Nina que é resultado da sua alquimia sensível, que sempre consegue obter aromas requintados na união dos mais diversos ingredientes - sejam eles ervas, flores e frutos velhos conhecidos seus ou novas adições ao seu rico catálogo de botânica sonora.
...junto com seu nascimento, reúno mais uma vez todos os meus anseios de dias melhores e retomo a minha corrida pelas linhas de chegada da vida. Caio no clichê de sempre: "estou mais maduro"; "aprendi muito"; "não vou quebrar a cara novamente"...
É um tanto estranho esse "aprendizado". Me tornar "esperto" fez com que eu deixasse de acreditar em muitas coisas, e temo que os próximos tropeços me levem a desacreditar no que ainda confio. Em alguns momentos, vejo que vivo uma vida de plástico. São tantas preocupações com a minha imagem, com o 'Douglas' que transparecerá às pessoas. Uma preocupação entre ser moderno, antiquado, redondo, quadrado, azul ou vermelho...
Por isso, esse será um ano de conclusões. Eu tenho que encontrar meus caminhos. Profissionais, acadêmicos, afetivos... Depois de concluir todas essas etapas, finalmente chegarei à conclusão final: minha real identidade.
Às vezes, me sinto cansado. Das pequenas-grandes batalhas as quais me submeto. Das paredes da ignorância que preciso derrubar diariamente. E em ter que admitir que muitas dessas paredes ignorantes estão dentro de mim. Num universo que eu criei.
Eu gostaria que toda minha confusão de limitasse em vinte e tantas linhas. Que o meu medo se perdesse entre minhas letras.
Tirei as caixas velhas do lugar. Limpei as prateleiras e descartei aquele delicioso pó de uma época ultrapassada.
Permiti que a incômoda novidade entre pela janela, mesmo com a vidraça trancada.
Ah, e esses meus dedos... estão tão doloridos! Mas, valeu a pena quebrar os cadeados mentais que me impediam de entender a força das novas idéias e prazeres.
E eu que ainda ando pelo mundo sem entender a força do acaso, me liberto nessa arrumação de sensações que organizei numa noite de domingo "pós-fantástico".
Saio à rua de manhã e me deixo levar Assisto à profusão de cores e de sons Quem é essa multidão? Por que correr assim? Ninguém aqui jamais será tão só como eu Estou agora em outro tempo, outro lugar Longe de mim...
Me vejo menino, num gramado o sol bateu no vidro e então a janela se desenhou no chão A vida era longa às vezes distante era promessa que não sei se cumpri
Meus olhos ainda eram diamante Já chorei à beça de hoje em diante viraram rubi
Saio das cores Outro de mim O vidro contra o chão O sol na multidão
A rua que corre Ninguém como eu Manhã do tempo e então Me desenhei nos sons
Eu estou agora em outro tempo, outro lugar longe de mim...
Na sexta-feira, o canal pago HBO Plus exibiu o filme espanhol Cândida.
Belo, grandioso e com uma qualidade igual ou até superior aos filmes de Pedro Almodóvar.
Infelizmente, não recebeu o menor espaço na mídia por ser um filme de baixo orçamento e sem o costumeiro apelo comercial.
O diretor Guillermo Fesser surpreende. Não o conhecia e com certeza vou procurar mais trabalhos dele.
Cândida é um filme de sentimentos e universos particulares. É impossível não se deixar envolver pela protagonista, encarnada pela atriz homônima Cándida Villar, em atuação magistral. Com um coração enorme e uma visão simplória do mundo ao seu redor, Cândida é o exemplo de mãe heroína, peça-chave da história e vive ajudando a todos. Não só seus três filhos problemáticos – um viciado em drogas, um louco e uma prostituta – como sua vizinha que sofre abusos do marido e de seus patrões dos quais recebe uma renda baixa como diarista, base de seu sustento.
Diálogos, sutis metáforas e belas atuações envolvem completamente o espectador. Nas idas e vindas das sensações vividas pelas personagens, as cenas têm o dom de arrancar lágrimas e gargalhadas – muitas vezes – ao mesmo tempo.
O foco gira em torno das questões simples da vida cotidiana no subúrbio, e o impacto do choque cultural quando Cândida invade a vida de um jornalista workaholic que vive um drama pessoal: o fim de seu casamento com uma amável artista plástica americana.
Apesar do sofrimento e da desgraça que circula em torno de Cândida, o universo inocente vivido pela protagonista anestesia sua dor, o que a torna encantadora.
Outro ponto que impressiona – e que lembra muito o estilo de Almodóvar – é a simplicidade e leveza ao tratar de tabus como drogas, homossexualismo, violência doméstica e até mesmo o almejado “sonho americano”.
A Espanha se encaixa como pano de fundo da história. A cultura exótica e exagerada dá o tom perfeito para a trama.
Não está disponível no Brasil. Nem para locação, muito menos compra. Uma pena!
“Isso é um tanto relativo, porque o ranking não trata apenas de um curso específico e sim do geral, de todos os cursos que uma faculdade oferta.
No meu caso (Administração), as disciplinas não são técnicas, portanto para a maioria das matérias, basta trazer o que você vivencia na empresa para a faculdade (pela ordem natural deveria ser ao contrário: aprender na faculdade e aplicar na empresa, mas na prática, não funciona).
Muitas vezes nem é preciso estudar, com livro e apostila. Basta pensar um pouco e tentar aplicar o seu dia-a-dia empresarial nos estudos. Tenho feito isso, e o resultado tem sido muito bom.
Porém, é evidente que a matéria (teoria) passada é totalmente fora do contexto corporativo atual. Engana-se quem pensa que a faculdade formará executivos prontos para o mercado. A realidade no mundo empresarial é completamente outra.
Não vejo aprendizado útil. E isso desmotiva. Não sou o único.
Acho um absurdo perdermos horas fazendo tabelinhas que no Excel ficariam prontas em cinco minutos. Aprender conceitos do século 19 não é interessante pra mim. Vivemos em pleno ‘boom’digital.
Além disso, temos cursos mais técnicos na universidade como Matemática, Sistemas de Informação e Saúde. Daqueles que você tem que "engolir o livro" pra exercer a profissão. E até nesses cursos, onde a metodologia é muito mais didática do que em matérias humanas, o desempenho também foi pífio.
O despreparo vem dos professores e alunos. Os alunos, em sua maioria, provêm de um ensino médio de baixa qualidade. Os professores, num contexto geral ainda são adeptos de uma metodologia arcaica.
Falta empreendedorismo e visibilidade real para o aluno sobre o mundo corporativo. Isso tem que mudar.
As faculdades pararam no tempo. E o resultado péssimo denuncia isso.”
Infelizmente, é boa demais para fazer sucesso no Brasil.
Recentemente, a moça deu as caras por aqui numa única apresentação de perfil intimista no Auditório Ibirapuera no dia 28 de agosto.
É claro que não perdi.
Apresentação impecável e emocionante.
Pesquisando ainda mais sobre Julieta, encontro no YouTube, verdadeiros tesouros da cantora.
Abaixo, o clipe de Sería Feliz, do início de sua carreira.
Vale lembrar que sua voz está bem melhor hoje em dia, mas o fundamento estético do underground mexicano até então desconhecido, revela um novo universo psicodélico ali ao lado: em plena América Latina, onde estamos inseridos.