Douglas Macch!!!


Paradoxos

 

Eu não estudo, mas tenho boas notas.

Trabalho muito, mas até agora espero uma boa posição.

Eu tenho opinião, mas sou rotulado como fútil.

Quando sou forte, me sinto fraco.

Sei vender, e não sou vendedor.

Não escondo, mas fingem que não vêem.

Sei amar de verdade, mas não encontro nada genuíno.

 

Não acredito em paradoxos.



Escrito por Douglas Macch às 23h53
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Filme: Cândida

 

Na sexta-feira, o canal pago HBO Plus exibiu o filme espanhol Cândida.

Belo, grandioso e com uma qualidade igual ou até superior aos filmes de Pedro Almodóvar.

Infelizmente, não recebeu o menor espaço na mídia por ser um filme de baixo orçamento e sem o costumeiro apelo comercial.

O diretor Guillermo Fesser surpreende. Não o conhecia e com certeza vou procurar mais trabalhos dele.

 

Cândida é um filme de sentimentos e universos particulares. É impossível não se deixar envolver pela protagonista, encarnada pela atriz homônima Cándida Villar, em atuação magistral. Com um coração enorme e uma visão simplória do mundo ao seu redor, Cândida é o exemplo de mãe heroína, peça-chave da história e vive ajudando a todos. Não só seus três filhos problemáticos – um viciado em drogas, um louco e uma prostituta – como sua vizinha que sofre abusos do marido e de seus patrões dos quais recebe uma renda baixa como diarista, base de seu sustento.

 

Diálogos, sutis metáforas e belas atuações envolvem completamente o espectador. Nas idas e vindas das sensações vividas pelas personagens, as cenas têm o dom de arrancar lágrimas e gargalhadas – muitas vezes – ao mesmo tempo.

 

O foco gira em torno das questões simples da vida cotidiana no subúrbio, e o impacto do choque cultural quando Cândida invade a vida de um jornalista workaholic que vive um drama pessoal: o fim de seu casamento com uma amável artista plástica americana.

 

Apesar do sofrimento e da desgraça que circula em torno de Cândida, o universo inocente vivido pela protagonista anestesia sua dor, o que a torna encantadora.

 

Outro ponto que impressiona – e que lembra muito o estilo de Almodóvar – é a simplicidade e leveza ao tratar de tabus como drogas, homossexualismo, violência doméstica e até mesmo o almejado “sonho americano”.

 

A Espanha se encaixa como pano de fundo da história. A cultura exótica e exagerada dá o tom perfeito para a trama.

 

Não está disponível no Brasil. Nem para locação, muito menos compra. Uma pena!



Escrito por Douglas Macch às 00h07
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